Idoso que desapareceu há 15 anos no Réveillon é identificado na virada deste ano em MT

  • 07/01/2026
(Foto: Reprodução)
Odenir desapareceu em 1º de janeiro de 2010 e foi encontrado morto 15 anos depois. O mestre de obras Odenir Gomes Pedroso, na época com 73 anos, desapareceu no dia 1º de janeiro de 2010, minutos depois de a filha caçula chamá-lo para o almoço. O caso permaneceu sem solução por 15 anos, período marcado por incertezas e sofrimento para a família, que não sabia o paradeiro dele. A resposta só veio em 30 de dezembro de 2025. Segundo a Perícia Oficial e Identificação Técnica (POLITEC), Odenir morreu cerca de 15 dias após o desaparecimento, vítima de um atropelamento ocorrido nas proximidades da casa de uma de suas filhas, mas até então, não havia sido identificado. Ao g1, Maira Nunes Bismark, a filha mais nova, contou que nunca desistiu de procurar pelo pai. Durante todos esses anos, ela afirmou que comparecia anualmente ao Núcleo de Desaparecidos da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para confirmar que o caso seguia ativo. Odenir Gomes Pedroso desapareceu no dia 1º de janeiro de 2015, após pedir um prato de comida à filha caçula. Reprodução Na época do desaparecimento, Maira tinha cerca de 25 anos. Ela relatou que costumava aguardar notícias do pai em uma praça do bairro, após moradores afirmarem que o tinham visto circulando pela região. "Eu ia lá para a praça, sentava lá na parte da manhã.. Fazia isso as vezes três vezes na semana pra ver se ele aparecia. Eu fui em hospital, fui naquele abrigo dos idosos, fui em bastante lugar, todo ano eu andava um pouco em cada lugar. Eu queria encontrar ele com vida, né? Pra poder cuidar dele e garantir um final de vida bom, já que a idade dele era bem avançada.", comentou. A filha caçula lembra com precisão o dia em que o pai desapareceu. Na noite de 31 de dezembro de 2009, a mãe de Maíra, Lourdes Nunes Bismark, foi até a casa da família para comemorar a virada do ano. Odenir, no entanto, preferiu ficar em casa, já que tinha o costume de dormir cedo. No dia seguinte, a rotina seguia normalmente. Na hora do almoço, Lourdes pediu que a filha chamasse o pai para comer. Maíra contou que foi até a sala, tentou falar com o pai, mas ele não respondeu. Ela então voltou à cozinha para preparar um prato de comida para ele e, cerca de dez minutos depois, ao retornar, percebeu que o pai já não estava mais no local. "Minha primeira reação foi 'Ué, ele não ta mais lá'. Voltei com o prato e avisei minha mãe que me pediu pra verificar na frente da casa, pra ver se ele tinha saído. Uma vizinha confirmou que viu meu pai subir a rua e que até desejou feliz ano novo mas ele não deu muito ouvido, passou reto, o que era incomum". relembrou. Para Maíra, o pai pode ter passado mal de forma repentina e decidido ir até a casa da filha mais velha, Vanuza. Segundo ela, era comum que Odenir saísse sem avisar, o que costumava preocupar a família, especialmente porque ele havia sofrido um traumatismo craniano anos antes. O acidente ocorreu durante o trabalho, quando ele caiu de uma escada, fraturou uma perna e sofreu o traumatismo. Apesar da gravidade, Maíra relata que o pai levou uma vida normal após o ocorrido: trabalhava, saía de casa e utilizava transporte público sozinho. Ela contou, no entanto, que o pai se aposentou após o acidente, devido às dificuldades de locomoção. Além disso, em alguns períodos, Odenir apresentava episódios de debilidade e lapsos de consciência. “Às vezes, ele voltava a ser criança”, disse. A hipótese levantada por Maíra ganhou força após a localização do corpo. Vanuza, a filha mais velha da família morava no bairro Jardim Industriário, mesma região onde Odenir foi encontrado morto no dia 16 de janeiro de 2010, 15 dias após o desaparecimento. A Politec informou que Odenir morreu vítima de atropelamento. Apesar de o corpo ter sido encontrado 15 dias depois, não foi possível confirmar a identidade de Odenir naquele momento. No dia do desaparecimento, ele saiu de casa sem carteira, telefone ou qualquer documento. Ele foi sepultado sem nome em um cemitério público. Como a família já estava acostumada às saídas inesperadas do pai, não houve inicialmente a preocupação em registrar um boletim de ocorrência, que foi realizado apenas em 2015. A saudade Adilson Bismark Pedroso, que, segundo Maira, era o filho mais parecido com Odenir. Reprodução Odenir e Lourdes tiveram nove filhos juntos. Eles se conheceram em uma praça há cerca de 55 anos atrás. O casal chegou a passar um período separado, mas, após o acidente de trabalho, voltaram a morar juntos. Maíra contou que, por viver próximo, mantinha contato frequente com o pai, assim como o irmão Adilson Bismark Pedroso, que, segundo ela, era o filho mais parecido com Odenir. A esposa e um dos filhos de Odenir morreram antes de receber a confirmação sobre o paradeiro dele. Ainda assim, Maíra relatou que tanto a mãe quanto o irmão nunca deixaram de sentir saudade e de relembrar o pai, questionando o que poderia ter acontecido. "A minha mãe falava: 'oh, meu Deus, será onde que ele foi, o que será que está acontecendo? Será que ele está sofrendo?'. Isso que a gente pensava a todo momento. O sentimento era de saudade, preocupação, era tudo, né?", relembrou Maira. O filho de Maíra, Pablo Henrique Bismark da Cruz, hoje com 20 anos, também conviveu com Odenir durante a infância. Ela contou que os dois mantinham uma 'guerra pelas bolachas', já que o avô costumava pedir uma parte do lanche do neto. "Eu abraçava ele e ouvia ele dizer bem baixinho que queria bolacha", contou. Ainda criança, Pablo costumava esconder as bolachas para que o avô não visse. Maíra contou que não adiantava oferecer um lanche diferente: Odenir observava atentamente e dizia: “Eu quero aquela ali, ó”, apontando para a bolacha do neto. O filho de Maíra, Pablo Henrique Bismark da Cruz, hoje com 20 anos, também conviveu com Odenir durante a infância. Reprodução Identificação das pessoas A primeira fase do processo é a identificação do corpo que chega ao IML ou está no sistema como sem identificado. A coordenadora do projeto "Lembre de mim" e papiloscopista do IML, Simone Delgado, conta como este processo é realizado. "Hoje em dia se entra um corpo não identificado, nós fazemos a coleta das impressões digitais, até mesmo em casos desafiadores, a gente consegue recuperar tecido de corpos em avançado estado de decomposição/ carbonizados e nós processamos essa impressão digital da pessoa desconhecida no sistema automatizado" , explicou ela. A base biométrica utilizada para a identificação do corpo e da própria família é atualizada através dos documentos emitidos no estado. Por exemplo, ao atualizar o Registro Geral (RG), todos precisam tirar uma foto. Ao emitir o documento pela primeira vez, são coletadas as impressões digitais dos dez dedos. Estes dados (foto e impressão digital) também são utilizados para identificar os corpos no IML. Após a identificação do corpo, o próximo passo é rastrear os familiares. "Cada indivíduo tem a digital única. Por conta dessa individualização, o sistema faz essa pesquisa e ele vai nos apontar os candidatos que tem as impressões digitais semelhantes. É assim que a gente consegue, por exemplo, já identificar qual que é a família daquela pessoa" , contou Simone. Veja os vídeos que estão em alta no g1

FONTE: https://g1.globo.com/mt/mato-grosso/noticia/2026/01/07/idoso-que-desapareceu-ha-15-anos-no-reveillon-em-mt-morreu.ghtml


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