Morte de rapper que sonhava em fazer história no hip-hop completa um ano e família segue sem respostas em MT
09/01/2026
(Foto: Reprodução) Nas batalhas de rima, a artista La Brysa se destacava pela defesa de pautas sociais e pela conquista de diversos prêmios na categoria
A morte da rapper Laysa Moraes Ferreira, de 30 anos, conhecida como La Brysa, completa um ano nesta sexta-feira (9). A Polícia Civil informou que o caso segue em investigação, enquanto a família aguarda respostas sobre o que aconteceu com a artista.
A artista nasceu em Três Lagoas (MS) e havia se mudado para Cuiabá (MT) há cerca de um ano com objetivo de impulsionar a carreira, no entanto, desapareceu e foi encontrada morta no Rio Cuiabá seis dias depois. Ela era conhecida por defender pautas sociais e sonhava em construir uma carreira no hip-hop.
A Polícia Civil informou que as investigações são conduzidas pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e que depoimentos de testemunhas e familiares foram colhidos, mas não há prazo para conclusão do inquérito.
Apesar da polícia apontar indícios de homicídio, até hoje nenhuma pessoa foi responsabilizada pelo crime.
"A polícia investiga pessoas suspeitas de envolvimento na morte para reunir elementos que possam comprovar os fatos e se há relação com facções criminosas como possível motivação. O laudo pericial aponta como causa da morte afogamento. Outros detalhes não serão divulgados para não comprometer as investigações", informou a Polícia Civil, em nota.
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Laysa Moraes Ferreira, de 30 anos
Reprodução
Família aguarda respostas
As investigações sobre a morte da rapper constataram que ela foi assassinada a mando de uma facção criminosa. Segundo o delegado Edson Pick, não há provas de que ela estava associada a alguma organização, mas tinha fotos publicadas em uma rede social em que fazia gestos usados por uma facção, o que pode ter motivado o crime.
O pai de Laysa, Paulo Rogério Lopes Ferreira, de 54 anos, diretor de comunicação da Câmara de Três Lagoas contou ao g1 que não acredita nessa versão apontada pela polícia e que isso tem levantado muitas dúvidas para a família sobre o que aconteceu.
"Levantaram a suspeita de envolvimento com facção, mas afirmo que minha filha não tinha esse lado. Ela tinha uma rotina de trabalho e estava focada nos projetos dela", pontuou.
Paulo disse que a filha pretendia visitar a família no Natal, mas decidiu permanecer mais tempo na capital. Segundo ele, a última conversa com Laysa foi na virada do ano passado.
"Apareceu um convite para ela disputar um torneio nacional representando o Mato Grosso do Sul, e ela me disse que estava trabalhando em uma rede fast food e que iria ficar até a virada para fazer um dinheirinho, porque a intenção dela era voltar para ficar em casa" , disse.
Paulo disse que não tem sido fácil passar por esse momento de luto sem respostas e que procura se confortar com as boas lembranças e fotos de momentos que tem com a filha.
"É uma fase complicada e sempre reacende a dor quando a gente lembra e bate a saudade. Convivo com lembranças e guardo algumas fotos. Não tem sido fácil, principalmente pela falta de respostas sobre como ela morreu e pela forma que aconteceu", contou.
Quem era La Brysa
Laysa Moraes Ferreira, de 30 anos, em fotos nas redes sociais
Instagram/reprodução
O pai lembra que La Brysa tinha personalidade forte, era envolvida com movimentos sociais e sonhava em ampliar sua trajetória artística. "Ela tinha opinião firme, mas sempre me respeitou como pai. Era marrenta, mas muito dedicada ao que acreditava", ressaltou.
Segundo ele, a jovem dizia que queria representar o estado e tinha intenção de ir para o Rio de Janeiro para alavancar a carreira. "Não era um ritmo que eu gostava, mas era o sonho dela", contou.
"A Câmara Municipal de Três Lagoas vai apresentar um projeto para nomear uma pista de skate em homenagem à filha, espaço que ela frequentava e onde aconteciam batalhas de rima, reforçando a importância que Laysa tinha para a cultura local", destacou.
De acordo com o Paulo, La Brysa começou a demonstrar interesse pela musica desde pequena e começou sua carreira musical como roqueira antes de se tornar rapper.
"A primeira tendência dela aos 16 anos, foi o rock e chegou a integrar uma banda que ensaiava em casa, e era sempre ligada à leitura e à poesia. Em 2012, já com 20 anos, começou a se dedicar ao universo do hip-hop", pontuou.
Paulo contou que, se pudesse deixar uma mensagem em nome da filha, ela diria: "Mire seu sonho, foque e vá atrás do que você quer".
*Sob supervisão de Kessillen Lopes